segunda-feira, 18 de junho de 2012

O que você faria?




O que você faria?






O que você faria se só lhe restasse apenas um dia? Se por um motivo qualquer você descobrisse que está prestes a morrer e que às 24 horas seguintes são as últimas da sua vida?
Nessa hora a mente é povoada de lembranças dos sonhos que não se realizou e de todas as coisas que gostaria de ter feito.
Você começa a desenterrar aqueles desejos mais íntimos que passaram anos escondidos no fundo da alma. Lembra-se das pessoas que já passaram na sua vida e que certamente significaram algo para serem lembradas durante as suas últimas 24 horas.
Todos nós temos os mais diversos anseios, sonhos que fervilham nossas noites de insônia e que nos enchem de ansiedade nos momentos de frustração diante da impotência de realizá-los.
Sofremos tanto com a aparente dificuldade em sermos felizes, pois acreditamos que a felicidade está no desejo mais distante e menos palpável. Por isso, acredito que o desejo ideal para o último dia deva ser uma vontade imediatista, corriqueira, simples. Do tipo que nos enche de satisfação com uma facilidade prazerosa, como saciar a fome com a nossa comida preferida quando estamos famintos.
Agora relaxe e respire fundo, pois essa é apenas uma pergunta hipotética. Afinal de contas, seria muita "sorte" sua ter consciência de que aquele dia é o último. Entretanto, sabemos que ele existe e fatalmente chegará.
O que me intriga é o fato de saber que algumas pessoas que tem um certo estilo de vida, ao ser feita esta pergunta, elas respondem que fariam um monte de coisas, que se não fosse o último dia delas, elas não o fariam.
O que leva uma pessoa a responder desta forma? Será que a uma hipótese de que essas pessoas não estejam vivendo da forma que realmente desejam?
Se isso for verdade, qual o fator que limita os seus desejos de serem cumpridos?
São várias questões, mas o que me chama mais a atenção é que pouco sabemos um do outro, o ser humano contém muitos desejos, desejos estes conscientes e inconscientes, e que alguns destes desejos podem ser estimulados e aparecerem em um momento de pressão ou mesmo de desespero total.
Freud Psicanálista diz que o nosso consciente e inconsciente pode ser comparado a um Ice-berg, o Ice-berg é visível apenas uma pontinha de seu corpo real, sendo que a parte maior fica submersa. Assim somos nós, nosso consciente é apenas uma pontinha que se mostra, tendo o inconsciente como corpo maior. Em nosso consciente estão às experiências que nós percebemos, incluindo lembranças e ações intencionais. A consciência funciona de modo realista, de acordo com as regras do tempo e do espaço. Já nosso inconsciente é responsável pelas principais características determinantes da personalidade, as fontes da energia psíquica, as pulsões e os instintos.
Pensando bem, por isso que as pessoas pensam em fazer coisas que normalmente não fariam, pois quando questionadas a essa pergunta, surge no momento a fantasia de que ela só teria 24 horas, e essa pressão evoca todos os desejos reprimidos guardados em seu inconsciente.

Interessante não ?!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Somos derrotados pelas nossas próprias expectativas, quando apostamos todas nossas ficha em uma plena certeza obliteramos a idéia de que não possa dar certo e deixamos de criar válvulas de escape caso isso ocorra, tipo um plano B, elevamos toda nossa confiança ao nível máximo da certeza, o certo é tão imprescindível que dar errado parece impossível.
Mas, até as coisas impossíveis uma hora resolve acontecer.

sábado, 2 de junho de 2012















Desculpe os transtornos, pois estou em obras, garanto que em algum tempo estarei pronto e inaugurando novos ambientes, novos ares, novas cores e prometo que aqui será um ótimo lugar para estar.
Estou implodindo os ambientes obescurecidos e gélidos esses onde viviam lembranças que me apoquentavam, estou precisando de espaço de cores e luzes, ambientes onde a luz do sol possa brilhar, cheiro de rosa, flores por todo lado quero que seja quente e aconchegante. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O [re]início


O [re]início
O sol rastejou por debaixo da porta, riscou uma linha de luz pelo assoalho para formar um ponto brilhante na parede tosca no lado direito da cama. Com o quarto iluminado, ele resmungou a desdita de ter que se levantar. Sentou-se, procurando acompanhar o rastilho que se acendeu no quarto e começou a falar sozinho. “Que dia é hoje? Onde estou? Que lugar é este?”.
Sem pressa, estincando os braços para o alto, em um esforço para alongar os músculos retesados, ele caminhou até o banheiro, levantou a tampa do vaso e notou que havia urinado pela madrugada; um cheiro azedo subiu e lhe enauseou. “Que coisa, não me lembro de ter feito xixi!”. Quando ouviu o barulho da micção, sentiu prazer de aliviar a bexiga. “Estranho, eu não lembrava que era tão bom vir aqui de manhã”.
Terminou, espremeu o último pingo e se voltou para lavar as mãos. Tomou um susto. O coração dele disparou. “Quem sou eu?”, falou alto, como se brigasse com a figura que surgiu dentro do espelho.
Vestiu-se. De repente, já estava na calçada. O cenário lhe pareceu estranho. Sem conseguir reconhecer a vizinhança, não sabia para que lado se virar. “Esquerda ou direita”? Olhou as mãos e não conseguiu distinguir uma da outra. “Não sei quem sou, como vou saber que lado seguir?”. Um pânico súbito se espalhou pelo corpo como um arrepio macabro. “Estou ficando louco”, falou em voz alta.
Um carro parou bruscamente na sua frente. Quando o vidro baixou lentamente, apareceu um rosto feminino ainda mais apavorado que o do homem que ele vira no espelho há alguns momentos. “O senhor poderia me ajudar?”, ela implorava como uma náufraga pedindo uma bóia. “Estou perdida, preciso saber que dia é hoje, quem eu sou, onde estou e para onde vou”.
Ele tentou cadenciar a respiração, mas não conseguiu; o medo era maior do que a capacidade de controlá-lo. “Também estou perdido”, respondeu como uma criança acuada. A mulher não deixou que ele encaixasse a próxima frase. “Acabei de ouvir no rádio que durante a noite, uma estranha amnésia se alastrou como epidemia”. Ninguém mais sabe o nome, as pessoas vagueiam pela cidade sem rumo, sem norte”.
“E por que a senhora acreditou que eu poderia ajudar?”, ele indagou vagarosamente. “Eu não tinha nenhuma expectativa em relação ao senhor; parei aqui na frente por acaso. Simplesmente encostei o carro e o senhor foi a primeira pessoa que vi quando ouvi a notícia do apagão da memória coletiva”.
Ele abriu a porta do carro, estendeu a mão como faziam os cavalheiros ao cortejarem as damas medievais e a senhora saiu do carro. “Venha comigo”, ele pediu.
De mãos dadas, os dois dobraram a esquina. E se perderam. Ele jamais acertou o caminho de volta para casa; ela nunca mais se lembrou onde havia deixado o carro. Junto com o mundo, os dois perderam toda memória.
Ele e a nova amiga se viram obrigados a caminhar, caminhar; agora, sempre para frente. Quando estavam muito longe os dois sentiram necessidade de se darem nomes. “De hoje em diante você vai se chamar Adão”.  E você será Eva. E os dois começaram tudo de novo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Porque escrevo





Escrevo porque sou como um prometeu acorrentado pelas letras. Ora, não há como soltar as algemas das mãos

que buscam a profecia poética e o discurso prosaico. Escrever é aprisionar-se e querer estar preso por vontade.
É servir a quem busca saciar a sede de palavras.
Escrevo para certificar a cor do orgasmo que todos os dias procura sair da memória em busca do encontro
erótico com o papel. Escrevo para "gozar no papel" e a lesma "gosmar na gente", como faz Manoel de Barros.
Escrevo por genuíno erotismo porque a linguagem é corpo.
Escrevo porque uma força epifânica e intensa me leva ao paraíso e ao mesmo tempo ao inferno de Dante.
Escrevo porque tenho a paciência de Virgílio e a esperança de Penélope na busca da completude lírica.
Escrevo porque navergar é preciso. Escrevo porque não sou nada e tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Sonhando eu posso lutar com as palavras que me acariciam em doce regozijo. Escrevo porque sei que terá
sempre um leitor com sede de metalinguagem. Sempre haverá alguém que virá às minhas páginas em busca de
pão e fonema. Escrevo para fazer as palavras ocas boiarem no alguidar e depois selecionar o ínfimo para
sentir-me grande no ato da crítica que é metalinguagem, ao estilo de João Cabral de Melo Neto.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Envelhecer














COMO É BOM ENVELHECER...

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo tornei-me mais amável para mim e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo ...

Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava.
Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, desejar chorar por um amor perdido ... Eu vou.

Se eu quiser, vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.

Eles também vão envelhecer.

Eu sei que sou às vezes esquecido, mas há algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode seu coração não se quebrar quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?
Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.


Sou abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.

Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado.

Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho.
Eu gosto da pessoa que me tornei. Não vou viver para sempre, mas enquanto ainda estou aqui, não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.
E, se me apetecer, vou comer sobremesa todos os dias.

Que nossa amizade nunca se separe porque é direta do coração! 

sábado, 17 de março de 2012

Djavu

Sabe aquela sensação de se estar vivendo hum momento que outrora já viveu. (djavu)
É meu caro, quem nunca se decepcionou com motivos iguais, que atire a primeira pedra, ou melhor pedra não, atire hum tijolo quem sabe assim acerte a nossa cabeça e quem sabe aconteça uma meta-nóia.
Parece até uma stigma, como se estivéssemos pré-destinados a sofrer com a mesma dor em ocasiões diferentes, mas na verdade o caminho é o mesmo e até identificamos as evidencias, mas insistimos obliteramos o sinal de alerta e prosseguimos para a nossa própria cruz.
O bom é que agora estamos mais maduro, calejados e sabemos o caminho de recomeçar, tentar outra vez é uma dadiva dos que já passaram por essa guerra, a decepção ensina-nos a viver com mais dignidade a levantar a cabeça em meio as mais violentas tempestades boréas. O fato é que a vida é desse jeito.